A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira (15), a Operação Hawala contra uma rede suspeita de movimentar mais de R$ 100 milhões para organizações criminosas. Dez pessoas foram presas durante o cumprimento das medidas judiciais.
A operação reúne 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão. As diligências ocorrem no estado do Rio, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná.
Segundo os investigadores, o grupo atuava como uma estrutura financeira a serviço do Terceiro Comando Puro (TCP) e também teria ocultado recursos relacionados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou 22 pessoas. A Justiça recebeu a acusação, e os denunciados passaram à condição de réus. O recebimento da denúncia não representa condenação, e os envolvidos poderão apresentar suas defesas durante o processo.
Foram presos Ali Alfakih, Barbara de Oliveira Rosa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Kassem Zayoun, Lucas Gabriel Vidal, Reda Zayoun, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel e Yasser Zayoun.
As apurações indicam que, entre 2021 e 2024, dezenas de empresas teriam sido utilizadas para disfarçar a origem de valores obtidos com tráfico de drogas, receptação qualificada e venda de produtos falsificados.
O dinheiro circulava por meio de transferências entre empresas relacionadas, depósitos fracionados, contas de terceiros e operações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados.
A polícia também identificou um núcleo empresarial suspeito de ampliar a circulação dos recursos entre diferentes estados e no exterior. Parte das movimentações teria passado por empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais.
Outro ponto investigado é a atuação de integrantes do grupo na Tríplice Fronteira, região formada por Brasil, Paraguai e Argentina. As autoridades apuram ainda uma transação envolvendo uma pessoa sancionada pelo governo dos Estados Unidos por suposta participação em uma estrutura de financiamento ligada à Al-Qaeda.
Até o momento, o caso é tratado como uma possível conexão financeira, que ainda será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação.
A Justiça também determinou medidas para bloquear contas, bens e participações societárias atribuídas aos investigados. O objetivo é interromper o fluxo de recursos e reduzir a capacidade financeira das organizações criminosas.
Com informações do MP e G1.






