O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não deve ser vista como retaliação aos Estados Unidos, mas sim como uma ferramenta para corrigir uma situação que o governo brasileiro considera injusta. Ele fez essa declaração em uma entrevista na terça-feira (21).
Alckmin destacou que a legislação foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado e oferece instrumentos para uma resposta institucional, respeitando os trâmites legais. Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, conversaram com empresários sobre o novo tarifaço imposto pelo governo dos EUA.
O governo brasileiro está finalizando um pacote de apoio aos setores afetados pelas novas tarifas, que incluem uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, podendo chegar a 37,5% em algumas situações. Essa medida impacta cerca de 18% das exportações do Brasil para os EUA, totalizando aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
O pacote de ajuda aos exportadores será estruturado em três frentes: apoio financeiro, diversificação de mercados e diálogo com setores produtivos. O programa Brasil Soberano será utilizado para oferecer crédito às empresas afetadas. Além disso, o governo considera flexibilizar regras de isenção tributária para insumos usados na exportação.
A ApexBrasil intensificará a busca por novos mercados, como Índia, México e Japão, para reduzir a dependência do mercado americano. Os setores mais afetados pelas tarifas incluem eletroeletrônicos, máquinas, autopeças e calçados.
O governo estabeleceu um cronograma para definir suas respostas às tarifas. Uma decisão dos EUA sobre tarifas adicionais deve ser anunciada na próxima sexta-feira, e a sobretaxa de 25% entrará em vigor em 29 de julho para mercadorias já em trânsito.




