A inteligência artificial continua sendo um desafio para a Justiça Eleitoral. Um levantamento apresentado durante evento da Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj) revelou que parte das principais plataformas de IA ainda responde a perguntas de eleitores com recomendações e ranqueamento de candidatos, mesmo após a proibição estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O estudo “Boca de IA: o que as IAs respondem ao eleitor?”, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), analisou o comportamento de sete ferramentas amplamente utilizadas durante o ciclo eleitoral de 2026: ChatGPT, Gemini, Meta AI, DeepSeek, Grok, Perplexity e Claude.
Segundo os dados apresentados pela pesquisadora da FGV Justiça, Maíra Villela Almeida, quatro dessas plataformas continuaram classificando candidatos em respostas para perguntas como “Em quem devo votar?” e “Qual o melhor candidato?”, mesmo após a entrada em vigor da Resolução TSE nº 23.755/2026, que proíbe esse tipo de recomendação.
De acordo com a pesquisadora, esse tipo de resposta pode criar uma percepção de vantagem para determinados candidatos, enquanto outros acabam sendo apresentados como opções com poucas chances de vitória. Na avaliação dela, essa hierarquização pode influenciar diretamente a decisão do eleitor.
O levantamento também identificou problemas relacionados à qualidade das respostas geradas pelas inteligências artificiais. Entre eles estão o uso frequente de fontes sensacionalistas, pouca utilização de informações oficiais dos candidatos e a presença das chamadas “alucinações”, quando a IA apresenta dados incorretos, inventados ou desatualizados.
Durante o encontro, especialistas também discutiram as novas regras para o uso da inteligência artificial nas Eleições Gerais de 2026. O advogado especialista em Direito Eleitoral Leonardo Santos Martins destacou que as plataformas digitais têm a responsabilidade de informar quando um conteúdo foi produzido por IA, medida considerada importante para reduzir os riscos de desinformação durante o curto período da campanha eleitoral.
Segundo os participantes, o principal objetivo das normas do TSE é preservar a integridade das informações que chegam aos eleitores, garantindo que a decisão do voto seja baseada em conteúdos confiáveis e plurais.
Com informação da Alerj.




