A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quinta-feira (1º), a Operação Escola de Papel, que apura possíveis irregularidades em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ). A investigação alcança contratações que, segundo informações divulgadas, podem envolver até R$ 1,6 bilhão.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados. Não há mandados de prisão nesta fase da operação.
Entre os alvos está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira. Também são investigados Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro da ex-secretária; David de Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc; e Fabio Martins Pereira, apontado pelos investigadores como possível operador financeiro do grupo.
Uma das empresas no centro da apuração é a MCK Reformas e Construções. Segundo a investigação, a companhia recebeu contratos para intervenções em escolas estaduais e teria movimentado milhões de reais em recursos públicos. Parte dos valores teria sido repassada a Fabio Martins Pereira, proprietário da Virtual Construtora.
Outro episódio investigado ocorreu em janeiro de 2026, quando Marcos José Mendes Ferreira, proprietário da MCK Reformas, teria sacado R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias. Segundo a apuração, o dinheiro foi colocado em uma sacola e transportado em um veículo registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie.
Os investigadores também analisam a estrutura da MCK. A empresa funcionaria em endereço residencial e, de acordo com a investigação, não teria funcionários registrados nem estrutura compatível com o volume das reformas para as quais foi contratada.
A apuração começou após denúncias envolvendo o crescimento dos gastos da Educação por meio do sistema descentralizado de pagamento. Levantamentos divulgados anteriormente apontaram movimentação superior a R$ 1 bilhão em dois anos: R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025.
Também são investigadas possíveis conexões entre empresas que disputavam contratos para reformas de escolas, incluindo compartilhamento de funcionários e prestadores de serviços. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) também abriu apuração sobre as contratações e a utilização do modelo descentralizado.
Os investigados são alvo de apurações relacionadas a possíveis crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. A investigação continua sob sigilo e, até a última atualização, as defesas dos citados não haviam se manifestado.
Com informações do MPRJ e G1.





