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Mundo carece de líderes para frear guerras e a fome, afirma Lula

© Ricardo Stuckert/PR

Em visita oficial à Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou profunda preocupação com a atual conjuntura internacional, destacando a carência de lideranças globais capazes de mitigar conflitos armados e a persistente crise da fome. A declaração foi feita em Kuala Lumpur, durante evento que marcou o estreitamento de laços com o país asiático.

“Na ausência de lideranças, tudo que é de pior pode acontecer”, alertou o presidente, ressaltando que a falta de instrumentos de governança global tem contribuído para o agravamento de crises como a guerra entre Ucrânia e Rússia e o conflito no Oriente Médio, que classificou como um genocídio contra a Palestina.

Lula questionou a ineficácia de organismos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e a própria ONU, argumentando que estes não têm conseguido evitar ou solucionar os conflitos. “Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com um genocídio impetrado na Faixa de Gaza durante tanto tempo?”, indagou.

O presidente condenou a utilização da fome como arma de guerra, enfatizando que a privação alimentar imposta a crianças é uma forma de tortura inaceitável. Criticou ainda a falta de responsabilidade de diversos países em relação à preservação do meio ambiente, questionando como será possível evitar a destruição do planeta se não houver ações concretas para combater os fatores que a causam. Nesse contexto, reafirmou que a COP30, a ser realizada em Belém, será um evento crucial para discutir e implementar medidas efetivas.

Durante a visita, Lula enfatizou que a parceria entre Brasil e Malásia transcende os interesses comerciais, que atualmente giram em torno de US$ 5,8 bilhões por ano. Destacou os acordos de cooperação nas áreas de ciência e tecnologia e lamentou a ausência de presidentes brasileiros no país nas últimas três décadas.

“A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje. Eu não vim aqui apenas com o interesse de vender ou com o interesse de comprar. Nós temos possibilidade de mudar o mundo, de fazer com que as coisas sejam melhores”, declarou.

O presidente defendeu que o humanismo não seja derrotado pelos algoritmos e que o mundo precisa de paz, livre comércio e mais comida, em vez de guerras e protecionismo. “Quero dizer ao mundo que precisamos de mais comida e menos armas. Esse é o objetivo da minha visita à Malásia.”

Lula reafirmou a importância do papel do Estado no apoio aos mais pobres, defendendo que “governar é fazer escolhas, é decidir de que lado você está. Para um governante, andar de cabeça erguida é mais importante que um Prêmio Nobel. Cuidar das pessoas mais humildes é quase uma missão bíblica.”

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, elogiou a liderança de Lula e expressou confiança de que os dois países trabalharão juntos como parceiros em diversas áreas. Lula receberá o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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