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EUA recuam em acusar Maduro de liderar suposto Cartel de Los Soles

Foto: JUAN BARRETO/AFP via Getty Images

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos reformulou a denúncia apresentada contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e retirou a acusação de que ele lideraria o chamado Cartel de Los Soles. A mudança aparece na nova peça processual protocolada nesta semana, após a captura de Maduro por forças norte-americanas, e contrasta com a denúncia original apresentada em 2020.

No documento anterior, elaborado durante o primeiro mandato de Donald Trump, a suposta organização criminosa era citada repetidas vezes, com menção direta a Maduro como principal líder. Já na nova versão, o termo aparece apenas de forma pontual, sem atribuir ao venezuelano o comando do grupo.

A nova acusação sustenta que Maduro participa e protege um sistema de corrupção ligado ao tráfico de drogas, no qual integrantes das elites venezuelanas se beneficiariam financeiramente. Segundo o texto, esse arranjo funcionaria por meio de redes de clientelismo envolvendo funcionários públicos corruptos, descritas genericamente como “Cartel de Los Soles”, referência aos símbolos usados por oficiais militares de alta patente no país.

A alteração no teor da denúncia chamou atenção porque a alegação de que Maduro chefiaria o cartel foi utilizada, no discurso oficial norte-americano, como uma das justificativas para a ação militar contra a Venezuela. Especialistas em mercado internacional de drogas, no entanto, vêm questionando há anos a existência formal desse suposto cartel e rejeitam classificar o país como um narcoestado.

Publicações do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime não fazem referência ao grupo, assim como o Relatório Anual sobre Ameaças de Drogas de 2025 da Drug Enforcement Administration.

Para a consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, Gabriela de Luca, a mudança indica o reconhecimento das dificuldades em comprovar a existência de uma organização criminosa estruturada. Segundo ela, ao abandonar a caracterização do cartel como entidade formal, o Departamento de Justiça passa a concentrar a acusação em condutas individuais, como corrupção, associação criminosa e narcotráfico, consideradas mais fáceis de sustentar juridicamente.

Apesar da revisão, o governo dos EUA mantém acusações de que Maduro teria vínculos com grupos armados colombianos, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), além de cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas. A denúncia afirma que essas alianças teriam permitido o envio de grandes volumes de cocaína ao território norte-americano.

Em depoimento à Justiça dos Estados Unidos, Maduro negou todas as acusações e declarou-se inocente, afirmando ser um prisioneiro de guerra após ter sido capturado no último sábado. O governo venezuelano acusa Washington de fabricar denúncias de narcotráfico contra suas lideranças para justificar uma intervenção com interesses estratégicos ligados às reservas de petróleo do país.

No plano diplomático, representantes dos EUA têm reforçado o discurso de que o controle das reservas venezuelanas não pode ficar, segundo eles, sob influência de adversários geopolíticos do Hemisfério Ocidental. Em reunião da Organização dos Estados Americanos, o embaixador norte-americano declarou que Washington não aceitará a presença de países como Rússia, Irã e China em áreas estratégicas da Venezuela.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

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