A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste sábado (22), revelou progressos na agenda de adaptação, novas ferramentas internacionais para a implementação climática e o início das discussões sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Em coletiva de imprensa após o término das negociações, autoridades detalharam os resultados alcançados. Foi ressaltado que a conferência teve início sob considerável pressão, mas com maior autonomia concedida aos codiretores. O pacote de adaptação, considerado um dos mais complexos, foi reduzido de mais de 100 indicadores iniciais para 59. As discussões sobre os indicadores restantes deverão continuar em junho, durante a Conferência Climática em Bonn, Alemanha.
Sobre o debate energético, foi mencionado que a Presidência brasileira pretende continuar a promover discussões e reunir estudos e ações que possam orientar os países no abandono dos combustíveis fósseis.
Houve consenso em relação ao Acordo de Paris e um avanço para uma agenda de implementação concreta. Foram apresentados 120 planos de aceleração em combustíveis comerciais, carbono e indústria verde, além da aprovação de 29 documentos. Um dos principais legados da COP30 foi o fortalecimento da agenda de adaptação, com o objetivo de triplicar o financiamento internacional até 2035. A inclusão inédita de mulheres e meninas afrodescendentes na agenda climática e o fortalecimento da agenda oceânica também foram destacados.
Os países em desenvolvimento conseguiram unir forças, e o conjunto de indicadores aprovado servirá como guia para medir o progresso e orientar políticas. O Acelerador Global de Ação Climática será fortalecido, atuando como um espaço permanente para impulsionar medidas concretas.
Foi criado um fórum internacional para tratar da relação entre comércio e clima, com o objetivo de explorar como o comércio pode impulsionar ações climáticas. Também foi reconhecido o papel dos grupos afrodescendentes como vulneráveis, o reforço ao papel das terras indígenas como protetoras de sumidouros de carbono e a inclusão de representantes de comunidades locais no processo.
Foi destacado que países ricos já possuem suas trajetórias para a saída dos combustíveis fósseis, mas países mais pobres, em desenvolvimento ou dependentes do petróleo não têm. Por isso, é crucial criar condições para que esses países construam suas bases após décadas de espera por respostas sobre como abandonar a dependência do uso de combustíveis fósseis. O trabalho envolve também a transição para o fim do desmatamento.
A Conferência ampliou a compreensão pública sobre as mudanças climáticas, além das contribuições ao debate a partir do saber e vivência das populações amazônicas, que sofrem com isolamento, dificuldades logísticas e falta de acesso a alimentos, água e remédios.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




