Os chefes das 27 superintendências regionais da Polícia Federal divulgaram uma manifestação conjunta em defesa da autonomia técnica da corporação e da gestão do diretor-geral Andrei Rodrigues. O posicionamento ocorre após divergências entre a PF e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a condução de investigações.
No documento, os superintendentes reforçam que o trabalho da instituição deve seguir a Constituição, a legislação e os princípios do Estado Democrático de Direito. Segundo os dirigentes, as apurações são baseadas em fatos e provas, sem submissão a interesses políticos, ideológicos ou pessoais.
A nota também demonstra confiança na direção-geral e sustenta que a credibilidade alcançada pela Polícia Federal é resultado da atuação independente de seus servidores e dos mecanismos de fiscalização previstos em lei.
O posicionamento foi divulgado em meio a questionamentos envolvendo investigações relacionadas ao INSS. Integrantes do gabinete de André Mendonça levantaram suspeitas sobre o possível compartilhamento de informações de inquéritos com o Palácio do Planalto. A direção da PF rejeita qualquer irregularidade.
A tensão aumentou depois de o ministro estabelecer restrições à comunicação entre os policiais responsáveis por determinadas apurações e a direção-geral da corporação. A PF considera que essas determinações podem comprometer sua organização administrativa e procurou a Advocacia-Geral da União para analisar o caso.
Outro ponto de divergência envolve pedidos de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As suspeitas mencionadas nas apurações estão relacionadas a possíveis irregularidades em contratos envolvendo a Dataprev e o Ministério da Saúde. Não há, no conteúdo divulgado, indicação de condenação contra o filho do presidente.
De acordo com as informações publicadas, o gabinete do ministro cobra esclarecimentos sobre o andamento das diligências. A Polícia Federal, por sua vez, afirma que todos os procedimentos obedecem a critérios técnicos.
Os superintendentes também reconheceram que críticas e debates fazem parte do ambiente democrático, mas alertaram para manifestações destinadas a reduzir a confiança da população nas instituições.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que conversou com o filho e defendeu que qualquer pessoa comprovadamente envolvida em irregularidades responda por seus atos, independentemente de vínculos familiares. Interlocutores do governo alegam não identificar, até o momento, evidências de favorecimento a Lulinha dentro da administração federal.
Com informações do g1.





